Arraiá Sustentável
Prezados Parceiros e Associados,
Quem é que não gosta de uma bela festa junina? Bandeirinhas,
música, dança e muitos quitutes, acompanhados de alegria e tradição popular.
Nos bairros e escolas, a realização das festas já é bastante comum, mas também existem empresas que promovem comemorações reunindo colaboradores e seus familiares, além das comunidades existentes no entorno.
E já que estamos falando de um tema que agrada a adultos e crianças, que tal pensar numa festa junina sustentável? Não é nem um pouco difícil fazer pequenas adaptações que vão tornar a sua festa ainda mais agradável e ambientalmente mais correta.
Para começar, vamos tratar da montagem das barracas. Nada de usar madeira nova. O ideal é reutilizar madeira disponível ou então usar as aglomeradas, que são prensadas a partir de sobra de material.
E já que estamos falando sobre madeira, vamos ter pena dela na hora da fogueira. Todo mundo sabe que não existe festa junina sem fogueira, mas não precisa exagerar! Grandes fogueiras podem ser bonitas, mas liberam muito CO2 durante a queima. Aliás, é bom lembrar que a principal causa de emissão de gases de efeito estufa, no Brasil, vem das queimadas. Além disso, quanto maior a fogueira, maior o risco de provocar um incêndio ou mesmo de queimar acidentalmente algum participante da festa, principalmente as crianças.
Por falar em perigo, nem pense em soltar balões. Feitos a partir de materiais altamente combustíveis, eles são grandes causadores de incêndios, pois ao soltá-los, não há como saber aonde vão parar. São inúmeros os casos de fábricas, florestas e casas que foram destruídos por causa dos balões. Sem falar que a prática de soltar balões é proibida por lei. Infelizmente, esta é uma tradição que precisa ser abandonada em favor da segurança e do bem estar de todos.
Em compensação, não se pode deixar de lado outras brincadeiras juninas tais como a pescaria e o jogo de argola. Inclusive, elas podem receber algumas contribuições interessantes para que as pessoas, e também as crianças, se divirtam, e ainda por cima reflitam sobre seus atos cotidianos de consumo.
A pescaria, por exemplo, pode ser feita em uma piscina cheia com água de reuso e, além dos peixes, pode-se incluir também resíduos como garrafas e latas. O objetivo da brincadeira é retirar da água justamente estes objetos e não os peixes. Não vai ser difícil para os participantes fazerem uma relação direta com a poluição dos nossos rios e córregos, que são constantemente agredidos pelo despejo de materiais que deveriam ter como destino a reciclagem. Até 30% de todo o lixo produzido diariamente nas cidades brasileiras é composto por materiais recicláveis, como plástico, vidro, papel, latas entre outros que, se adequadamente separados, coletados e encaminhados poderiam ser usados na fabricação de novos produtos.
A famosa brincadeira de jogar argola, também pode ser um bom exemplo de reutilização de materiais. O pino no chão pode ser substituído por uma garrafa PET cheia de água ou areia. E no lugar dos alvos das barracas de tiro ao alvo podem ser colocados símbolos dos vilões do meio ambiente, como a fumaça dos escapamentos, as queimadas de florestas, os agrotóxicos e outros.
As gostosas guloseimas das festas juninas como bolo de fubá, paçoca, pé-de-moleque e pamonha, podem ser preparadas preferencialmente com ingredientes orgânicos e produzidos em regiões próximas. Assim, tudo o que for consumido terá mais sabor e será mais saudável, pois terá recebido menor adição de agrotóxicos e terá gasto menos combustível para chegar até o local da festa, reduzindo os impactos ambientais causados pela produção e pelo transporte dos alimentos.
As divertidas músicas que embalam a festa deverão vir de discos comprados de forma legal e não da pirataria, que alimenta a cadeia do crime organizado, ajuda a manter a informalidade e provoca a perda de empregos formais.
As bandeirinhas e demais enfeites para a festa podem ser confeccionados com papel reciclado, assim como o correio elegante. Aliás, o papel para o correio pode ser especialmente preparado: por dentro vai a declaração de amor e por fora, mensagens de consumo consciente. Caso a declaração de amor não surta efeito, pelo menos terá transmitido uma mensagem positiva.
Alguns exemplos de mensagens que podem constar no verso do correio elegante: “Você sabia que se 1 milhão de pessoas fechasse a torneira ao escovar os dentes durante um mês, a quantidade de água economizada seria o equivalente à água que cai pelas Cataratas do Iguaçu por 12 minutos?” ou “Você sabia que ao optar pela compra de alguns alimentos a granel você pode evitar o uso de isopor. Esse material além de ser difícil de reciclar não é biodegradável e tem um tempo indeterminado de decomposição na natureza, que pode chegar a 400 anos”.
Pra terminar, mande para a cadeia os consumidores menos conscientes que joguem lixo no chão ou não separem os materiais recicláveis. Afinal, um tempinho preso pode servir para uma boa reflexão sobre os seus atos, não é mesmo?
Atenciosamente,
Equipe Akatu
