Falta planeta para tanto consumo

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Mesmo que toda a boa vontade dos homens um dia queira, não será
possível estender o padrão de consumo dos moradores dos países mais
ricos para todos os habitantes da Terra. O que quer dizer que será
preciso mudar o modelo de consumo dos países ricos na direção de um
consumo que não consumo o mundo em que vivemos. E que os países menos
ricos precisarão estabelecer seus modelos de consumo segundo este novo
padrão. Ou vai faltar planeta.
A conclusão é de Mathis Wackernagel e William Rees, dois pesquisadores
da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá. Em um trabalho
chamado “The Ecological Footprint”, ou a “pegada ecológica”, eles
desenvolveram um método para calcular se nosso estilo de vida é
sustentável. Esse método estima a quantidade de terra necessária para
prover a cada pessoa recursos como comida, energia, transporte ou
roupas, assim como a capacidade de o ambiente absorver o lixo e a
poluição que cada pessoa produz.
Segundo os cálculos dos pesquisadores canadenses, cada americano
precisa em média de 9,6 hectares de terra por ano para obter tudo o que
ele consome, enquanto os canadenses usam 7,7 hectares. Porém, para cada
uma das 6 bilhões de pessoas do planeta, só há 1,9 hectare disponível,
uma área equivalente a dois campos de futebol. Os moradores da América
do Norte, portanto, gastam em média quatro vezes mais do que a parte
que lhes é de direito. Se todos os habitantes do planeta consumissem
nesses padrões, seriam necessárias quatro Terras para alimentar,
aquecer, transportar e vestir todo mundo.
E já estamos avançando na porção que deveríamos deixar para as futuras
gerações. Calcula-se que a média de consumo hoje, contando ricos e
pobres, chegue a 2,3 hectares por habitante — um excesso de 20 % em
relação ao que o planeta consegue suportar sem ver exauridos seus
recursos. Se somente os habitantes da Índia e da China consumissem hoje
como os americanos, esse excesso seria de 250%.
Esta visão de insustentabilidade considera os atuais padrões de consumo
e as tecnologias de produção e de gerenciamento de resíduos. Para
superarmos esse desafio, será necessário não apenas uma evolução
tecnológica, mas também — e principalmente — uma profunda revisão nos
padrões de consumo que almejamos. Um padrão que só será possível com um
consumo consciente dos seus impactos sobre a sociedade e meio ambiente,
um consumo consciente das limitações do planeta.
Veja mais informações sobre o trabalho The Ecological Footprint no site www.redefiningprogress.org.
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