Sustentabilidade

Consumo exagerado gera a escassez de água no mundo

Cecilia Ugaz, consultora do PNUD, critica o desperdício na abertura da Conferência Internacional Ethos 2006 e diz que solução está no gerenciamento

No mundo de hoje, 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água para consumo e 2 bilhões vivem sem saneamento básico, segundo a ONU. Para a consultora do Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)  Cecilia Ugaz, o principal problema em relação à água é o mau uso que as sociedades fazem dela, o que gera sua escassez. Essa foi a principal mensagem da convidada especial da plenária de abertura da Conferência Internacional Ethos 2006, realizada na segunda-feira (19/06), no Hotel Transamérica, em São Paulo. O evento de responsabilidade social empresarial é uma realização do Instituto Ethos em parceria com o Akatu e o PNUD.

"O grande problema é a média exagerada de consumo de água em alguns centros urbanos, que supera muito a recomendada pela ONU, de 100 litros por pessoa ao dia. Esse exagero causa a falta de água na outra ponta", afirmou Ugaz, que atualmente chefia a equipe de pesquisa do Relatório de Desenvolvimento Humano e apresentou um panorama do acesso universal ao abastecimento de água e ao saneamento.

Para a consultora, o desafio é oferecer água de qualidade sem restringir o seu acesso, principalmente pela população de baixa renda. Ugaz deu como exemplo positivo a África do Sul, onde o consumo de água não é cobrado até um limite que atende as necessidades básicas das pessoas. A partir daí, quanto mais se consome, mais cara fica a água.

"Nosso tempo [para enfrentar a questão] está acabando. A economia deve crescer, mas esse crescimento deve se refletir em qualidade de vida. E para isso, é preciso que haja transparência e compromisso social das empresas", arrematou Ugaz.

Empresas e dos consumidores

O presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, Oded Grajew, também ressaltou o papel do empresariado na transformação da sociedade. "Das 100 maiores economias do mundo, 56 são empresas. Quem tem tanto poder, deveria ter muita responsabilidade".

Grajew lembrou, ainda, o grave risco de extinção que a espécie humana corre se não mudarmos nosso jeito de produzir e de consumir. "Das nossas escolhas vai depender a continuidade do mundo que nós vivemos", completou.

No mesmo tom foi o discurso de Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu. Segundo ele, o primeiro desafio para a mudança do mundo rumo à sustentabilidade é a percepção sobre a interdependência.

"Não há nada que cada um de nós faça, que não reflita na vida dos outros. Por isso, a solidariedade é absolutamente necessária, inclusive por parte das empresas, que seriam mais agentes sociais e não apenas de produção", afirmou. Mattar ilustrou a interdependência com o fenômeno do aquecimento global, que é causado pelas escolhas cotidianas de consumo. "Quando comemos um bife ou deixamos de pegar uma carona, estamos contribuindo para aquecer o planeta". Entre as principais causas do superaquecimento estão o desmatamento das florestas - nesse caso para a criação de pastagens - e a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo.

O segundo desafio das sociedades para que se atinja a sustentabilidade, de acordo com Mattar, é uma mudança de paradigma: "Produção e consumo devem visar ao bem-estar da humanidade, não ser um fim em si mesmo".

Para o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, a responsabilidade social empresarial é um movimento em construção e nesse processo de amadurecimento enfrenta dilemas. "O ceticismo da mídia e de parte da sociedade em relação às ações de responsabilidade social das empresas nos passa uma mensagem clara: o que estamos fazendo não é suficiente para cumprir o nosso papel na economia. Temos que avançar."

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