Mudanças Climáticas

Terra sofre aquecimento recorde nas últimas décadas

Aquecimento da Terra está diretamente ligado aos hábitos de consumo. Pequenas atitudes do consumidor podem reduzir emissão de gases de efeito estufa

O aquecimento da Terra atingiu um aumento preocupante de 0,2ºC por década nos últimos trinta anos. Cientistas dizem que a atual concentração de gases de efeito estufa na atmosfera – cujas fontes de emissão, em sua maior parte, estão ligadas às atividades humanas – não encontra precedentes em milhares de anos.

O alerta foi dado, recentemente, por um grupo de pesquisadores liderados por James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa (agência espacial americana). De acordo com ele, o aumento de temperatura no século XX foi de 0,8ºC (incluindo os 0,6ºC das últimas três décadas). Isso faz com que a temperatura média atual seja a maior dos últimos 12 mil anos.

O aquecimento global pode ser o causador de uma série de eventos “anômalos” relacionados ao meio ambiente e ao clima que já têm acontecido com freqüência considerável nos últimos dez anos. O número e a força dos ciclones que surgem em algumas partes do mundo têm aumentado, a exemplo da última temporada de furacões nos EUA. Segundo os cientistas, isto é, comprovadamente, conseqüência da emissão de gases de efeito estufa pelo homem.

Alguns outros eventos de menor escala - ou não -, como a presença de pingüins na costa brasileira, também têm ocorrido. Para a população, eles também são resultados das mudanças climáticas. Os especialistas não confirmam, mas também não descartam a possibilidade de esses eventos serem sintomas do chamado aquecimento global. O que se pode dizer, nas palavras de Thelma Krug, representante brasileira no IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e pesquisadora do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é que a intensidade e a periodicidade desses eventos tiveram, de fato, um incremento nas últimas décadas.

A revista americana The Economist publicou recentemente um artigo dizendo que, vale a pena, sim, investir dinheiro público para afastar a chegada das mudanças climáticas, uma vez que os prejuízos à economia, além do prejuízo ao meio ambiente, podem ser muito grandes. Ela justifica esse necessidade comparando a situação com a de um país que mantém um exército não por acreditar que está correndo perigo imediato, mas por que sabe que, se por acaso estiver despreparado para uma disputa armada, as conseqüências podem ser catastróficas.

De acordo com os cientistas, com a mudança climática, as calotas polares podem derreter e o nível dos oceanos pode se elevar, trazendo problemas às cidades costeiras. Além disso, o regime de chuvas o número de furacões podem sofrer distorções. Alguns pesquisadores afirmam que até a produção de alimentos poderia ficar prejudicada.

Ligação com o consumo

O aquecimento global e os fenômenos negativos que podem surgir a partir dele estão bastante relacionados com os hábitos de consumo. Boa parte das emissões de gás carbônico vem da queima de carvão e combustíveis derivados de petróleo para geração de energia para indústrias, transportes motorizados e abastecimento de energia elétrica de casas, atendendo, portanto, ao consumidor. Em países em desenvolvimento como os latino-americanos e alguns asiáticos, o desmatamento também responde por parcela considerável de liberação de gás carbônico para a atmosfera.
 
Daí o poder do consumidor em contribuir para a reversão desse processo, agindo de forma consciente na compra, uso e descarte de produtos, premiando ou punindo (por meio de escolhas do que comprar ou não) empresas que tenham a sustentabilidade como princípio e mobilizando outras pessoas para que atuem da mesma forma.
 
Mudanças no planeta

Confirmando as palavras da pesquisadora Thelma Krug, os eventos extremos relacionados ao clima já são perceptíveis para qualquer pessoa que se atente à natureza. Cinthia Nemoto, mergulhadora e profissional do setor de Marketing e Serviços na capital paulista, notou que há vários pingüins, cujo habitat são geralmente lugares muito frios como a Antártida, no caminho para as praias em que costuma visitar, em São Paulo e no Paraná. “As correntes marítimas geladas [que trazem pingüins] sobem, mas não voltam. O pingüim fica só o tempo que ele agüenta, depois morre”, diz.
 
Para ela, esta situação é causada pela ação humana sobre o planeta. “O homem não está dando tempo para a natureza. Tudo que o homem faz com a natureza acaba retornando pra ele, de alguma forma. Mesmo que não seja a curto e médio prazo”.
 
O jardinista Julio César Wandam, de Tapes (RS), relata a conversa que teve com um produtor de mel há cerca de três meses, numa viagem para Gramado: “Ele me contou que a produção havia caído naquela temporada. A temperatura derrubou as flores antecipadamente e, quando as abelhas chegaram, não conseguiram fazer a polinização”. As flores servem como fonte de néctar e pólen para as abelhas. Sem a nutrição adequada, algumas castas de abelhas morreram, conta o jardinista.
 
Ambientalista desde 1989, Wandam também notou alterações na temperatura de sua região. “Aqui, normalmente é frio, mas às vezes está a 30ºC, depois 12ºC, depois dá uma chuva torrencial. A última estiagem no Sul foi em 2005 e continuamos sentindo os efeitos. O governo continua gastando dinheiro com isso até hoje”.
 
Em Criciúma (SC), a psicóloga Janice Martignago também tem uma lembrança de quando era criança de sua região que não se repete mais. “Lembro-me de estar no velório do meu avô paterno, no mês de julho, e a neve cobrindo a Serra Catarinense. Hoje, raramente cai neve com a mesma intensidade em São Joaquim e Urubici”.
 
Janice também acredita que isso seja resultado da intervenção do homem sobre o meio ambiente. “O número de casas, prédios e outras construções cresce de maneira estrondosa. Locais onde antes havia vegetação fechada, agora dão lugar a grandes construções”. Para ela, que desenvolve uma monografia de pós-graduação sobre Responsabilidade Social Empresarial, a melhor maneira de combater as agressões ao meio ambiente é conscientizar e educar as pessoas das conseqüências das ações do homem sobre a natureza.

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