Dinheiro e Crédito

Cresce número de brasileiros que não consegue quitar suas dívidas

Inadimplência sobe 8% em maio; alto consumo sem pagamento, além de afetar o crescimento da economia, tem impactos negativos sobre o meio ambiente

A percentagem de consumidores que não quitou suas dívidas dentro do prazo cresceu 8,2% em maio em relação ao mês anterior, o que representa a maior alta mensal desde março de 2010, segundo levantamento divulgado na terça-feira (14/6) pela Serasa Rxperien – empresa especializada em análise de crédito. Em relação a maio de 2010, a alta foi de 21,7%. De janeiro a maio deste ano, o aumento acumulado é de 20,6% ante o mesmo período de 2010.

Em nota, a empresa aponta as dívidas acima da capacidade de pagamento; os gastos com presentes no Dia das Mães, comemorado no dia 8 de maio; a elevação das taxas de juros e as recentes medidas adotadas pelo governo federal de restrição ao crédito e controle da inflação após longo período de taxas baixas que estimulavam o consumo como as principais causas do crescimento da inadimplência.

"O brasileiro se endividou, principalmente na aquisição de bens duráveis, que têm maior valor agregado, longos prazos de parcelamento e formas mais caras de crédito, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial", diz a nota.

Recentemente, o Banco Central (BC) adotou uma série de novas medidas para regulamentar o setor de cartões de crédito com objetivo de evitar o superendividamento das famílias brasileiras.

Para Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, em geral, os consumidores são vitimas de uma sociedade que se pauta pelo consumo. “Somos empurrados para dentro das lojas o tempo todo. Nas ruas, na TV e na internet há sempre mensagens que criam no consumidor a falsa sensação de necessidade de consumir vários produtos”, explica. “Para agravar a situação, entre os bens oferecidos, está o próprio dinheiro, disponibilizado ao consumidor em forma de crédito e, em geral, ele não está preparado para avaliar sua real capacidade de pagar pelo que consome”.

Um bom controle da entradas e saídas do dinheiro que compõe a renda pessoal ou familiar é fundamental para que as metas de curto, médio e longo prazo possam ser alcançadas sem sobressaltos, afirma Mattar. Clique aqui para aprender a fazer um orçamento familiar.

Outra dica é evitar parcelamentos. Fazer compra parcelada com juros sai caro e é sempre um risco. Não olhe apenas a prestação, mas o preço final parcelado. Muitas vezes, com o valor final daria para comprar até três do mesmo produto. Isso quer dizer que você vai trabalhar muito mais para comprar a mesma coisa. Como regra, uma dívida só vale a pena em situações de emergência, ou se a compra for gerar – com grande certeza – ganhos maiores do que os custos com juros, taxas e garantias.

Preste atenção também nos pequenos gastos, e descubra o que dá para fazer com o valor mensal gasto com despesas que podem ser evitadas. 

Para Mattar, ao se manterem os crescentes índices de inadimplência, os consumidores endividados, a sociedade como um todo e o planeta sofrerão as consequências. “Haverá maiores restrições ao crédito e ao aumento das taxas dos juros. Além disso, o consumo excessivo e sem planejamento demanda uma maior extração dos recursos naturais e em uma velocidade que supera a capacidade da terra de renovar seus recursos, causando problemas ambientais sérios”.

A redução da atividade econômica varejista já é uma realidade e foi constatada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume de vendas no varejo caiu 0,2% entre abril e março deste ano, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada na última sexta-feira (10/6). A redução, apesar de pequena, pôs fim a uma trajetória de 11 meses de crescimento nas vendas do comércio.

Dívidas

























Inadimplência com os bancos foi a principal responsável pelo crescimento do indicador geral

Todas as modalidades de inadimplência pesquisadas pela Serasa Experian apresentaram alta entre abril e maio, mas a inadimplência com os bancos foi a principal responsável pelo crescimento do indicador geral, respondendo por praticamente metade do índice.

Na comparação mensal, a inadimplência com o bancos avançou 9,7%. A inadimplência ligada a dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas e prestadores de serviços, como telefonia e luz) subiu 5,1%. A inadimplência com cheques avançou 11,5% e os títulos protestados tiveram alta de 20,7%.
O valor médio das dívidas com bancos nos cinco primeiros meses de 2011 foi de R$ 1.292,01, o que representa um recuo de 3,8% em relação ao mesmo período de 2010.

Na mesma comparação, o valor médio das dívidas não bancárias foi de R$ 314,74, um recuo de 19,8%. Já o valor médio das dívidas resultantes de cheques sem fundo (R$ 1.302,49) e títulos protestados (R$ 1.279,84) cresceram 6,7% e 10,2%, respectivamente.

Leia também:
- Calote maior. Pior para todos
- Aumenta a participação dos jovens entre os brasileiros inadimplentes
- Publicação Akatu: O Consumo Consciente do Dinheiro e do Crédito

- Publicação Akatu: ABC do Consumo Consciente do Dinheiro e do Crédito


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Comentários

Estanislau Maria
01 nov 2011
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Cuidado também com juros no cartão e no cheque especial.
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