Consumo Consciente

Mais bem informado, consumidor brasileiro valoriza mais a sustentabilidade que o consumismo

Pesquisa Akatu destaca que os consumidores estão mais bem informados sobre sustentabilidade, têm mais interesse pela Responsabilidade Social Empresarial e estão mais críticos em relação às empresas

















O Instituto Akatu lançou nesta quinta-feira (25/04) a Pesquisa Akatu 2012: Rumo à Sociedade do Bem-Estar. Trata-se da oitava edição da série de publicações sobre Responsabilidade Social Empresarial – Percepção pelo consumidor brasileiro, realizada desde 2000. O levantamento retrata um consumidor brasileiro que, mesmo em um clima econômico de mais consumo, mantém inalterados seus comportamentos cotidianos de consumo consciente, tem mais interesse e maior conhecimento sobre sustentabilidade e sobre Responsabilidade Social Empresarial e está mais crítico e exigente sobre as práticas das empresas nestas áreas. A pesquisa, que contou com patrocínio do Grupo Pão de Açúcar, Natura, Nestlé e Unilever, entrevistou 800 pessoas com mais de 16 anos, de todas as classes sociais e de 12 capitais e/ou regiões metropolitanas de todo o País.

 

Apesar de o levantamento indicar uma estabilidade do número de consumidores classificados como “Conscientes” – em torno de 5% da população –  houve crescimento na adesão a práticas de consumo consciente, ainda que, nesse momento, apenas de maneira eventual e não contínua. De 11 comportamentos considerados indicativos de consumo consciente, quando se adiciona aos consumidores que aderem “sempre” a esses comportamentos aqueles que aderem “às vezes”, oito comportamentos apresentaram aumento em relação a 2010, entre eles: planejar a compra de alimentos e roupas, desligar lâmpadas, fechar torneiras, usar o verso do papel, e ler rótulos de produtos.

Esta tendência é reforçada por outro importante resultado da pesquisa: solicitados a priorizar seus desejos, os entrevistados optaram, em uma significativa maioria, por soluções mais sustentáveis. Em cinco dos oito temas propostos (afetividade, alimentos, água, mobilidade, durabilidade, energia, resíduos e saúde), eles deram preferência a alternativas mais ligadas ao “caminho da sustentabilidade” do que as relacionadas ao “do consumismo”. Um exemplo é o tema da afetividade, que possui a maior diferença entre os consumidores que preferem o cenário mais sustentável (passar tempo com amigos e família – com índice de prioridade de 8,3 em uma escala de 0 a 10) ao invés do consumista (comprar presentes – com índice de 2,6). Vale destacar que apreferência pelo “caminho da sustentabilidade” ocorre em todas as classes sociais, faixas etárias e em todos os segmentos socioeconômicos e geográficos.

Para os brasileiros, o conceito de felicidade está relacionado à preferência pelos caminhos mais sustentáveis. Quando questionados sobre o que consideram ser felicidade, dois terços dos entrevistados indicaram que estar saudável e/ou ter sua família saudável é um fator essencial. Para 60% do público que respondeu à pesquisa, conviver bem com a família e os amigos também os aproxima mais da felicidade. Apenas três em cada 10 brasileiros indicaram a tranquilidade financeira em suas respostas sobre “o que é felicidade para você?”. “O estudo mostra que grande parte da sociedade brasileira já compartilha, mesmo que de forma difusa e pouco consciente, a noção de que, uma vez satisfeitas as necessidades básicas, a busca da felicidade implica em tomar o caminho da sustentabilidade e não o do consumismo”, afirma Helio Mattar, Diretor-presidente do Instituto Akatu.

DECISÃO DE COMPRA

Ao valorizar mais o consumo consciente e as opções mais sustentáveis, o consumidor brasileiro também passou a ser mais exigente em relação à atuação das empresas. O levantamento do Akatu revela que o comportamento das empresas impacta diretamente na decisão de compra dos consumidores, que destacam cinco aspectos como motivadores de preferência ou admiração por determinadas empresas: “Não maltratar animais” (52%), “Ter boas relações com a comunidade” (46%), “Ter selos de proteção ambiental” (46%), “Ajudar na redução do consumo de energia” (44%) e “Ter selo de garantia de boas condições de trabalho” (43%). As duas práticas que mais negativamente impactam a disposição do consumidor para comprar produtos de uma empresa ou falar bem dela continuam as mesmas de 2010 e de anos anteriores: “Ter produtos que podem causar danos à integridade física dos seus consumidores” (72%) e “Fazer propaganda enganosa” (71%).

“Saber que o potencial de adesão ao consumo consciente e à sustentabilidade já se expressa nos desejos dos consumidores é um sinal de alerta para empresas e lideranças em geral, que deveriam avaliar mais profundamente suas estratégias de explorar mais ainda um modelo esgotado, insustentável e conflitante com as aspirações dos consumidores e com suas concepções de felicidade”, indica Mattar. “Sustentabilidade e responsabilidade social são e continuarão a ser pilares fundamentais para apoiar a transição civilizatória em que estamos todos envolvidos. Por isso mesmo, estes pilares devem ser incorporados às práticas reais das empresas”, complementa.

Por outro lado, a pesquisa indica que houve um aumento do ceticismo dos brasileiros com relação às empresas: o percentual de consumidores, já baixo em 2010, que acreditava incondicionalmente no que as empresas divulgam sobre suas práticas de Responsabilidade Social Empresarial caiu de 13% para 8%.

O aumento do ceticismo se relaciona possivelmente com o crescimento da compreensão sobre sustentabilidade e do interesse por informações. O contingente de brasileiros que “ouviram falar” do termo sustentabilidade aumentou de 44% para 60% em dois anos, bem como o interesse de buscar informações sobre o tema (de 14% para 24%). Quando comparado a diversos outros, os dois únicos temas que tiveram expressivo crescimento no nível de interesse do consumidor foram justamente o da Responsabilidade Social Empresarial e o da Sustentabilidade: em 2010, ambos estavam em um patamar inferior a todos os demais e, em 2012, 24% apontaram seu interesse no tema Sustentabilidade e 25% em Responsabilidade Social Empresarial, praticamente ao mesmo nível de temas tradicionais, como Empresas/Negócios (26%) e Política (30%).

Refletindo sobre o papel das empresas, Mattar apontou que “certamente há papéis fundamentais a serem desempenhados por todos os atores sociais. Mas, também é certo que as empresas têm um papel fundamental no processo, fomentando e dando concretude ao trajeto rumo a uma sociedade mais sustentável, de forma a incluir os bilhões de seres humanos ainda privados das condições básicas para a promoção de seu bem-estar e segurança material, respeitados os limites do planeta”.
 

PARA DOWNLOAD:

Relatório completo da Pesquisa Akatu 2012: http://bit.ly/Pesquisa2012

Sumário de conclusões da Pesquisa Akatu 2012: http://bit.ly/SUM2012

 

Leia mais:
- Akatu lança Pesquisa 2012: Rumo à Sociedade do Bem-Estar
- Brasileiro associa felicidade mais a bem-estar do que a posse de bens, indica pesquisa do Akatu


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Comentários

Ramon Diego Santos
26 abr 2013
57 42
Interessantíssima a pesquisa analisando como os brasileiros manifestam as necessidades de um mundo mais socioambientalmente responsável em suas atividades de consumo cotidianas. No entanto, o caminho a percorrer é longo é penoso. Apesar do tom otimista da pesquisa, vejo com tristeza que apenas 5% da população se considere consciente no que diz respeito ao consumo, sendo que este número ainda é muito mais baixo quando se adiciona "de maneira eventual e não contínua". O artigo leva-me a crer em problemas na motivação das pessoas: os itens apontados pelo texto - Desligar Lâmpadas, Fechar Torneiras, Desligar Eletrônicos (dentre outros), - na minha experiência pessoal estão muito mais ligados à economia financeira gerada que ao consumo consciente dos recursos naturais, o que não invalida o impacto ambiental destas atitudes, mas limita que outras tantas sejam tomadas pela população se estas não forem financeiramente proveitosas no curto prazo. Com relação aos quesitos de felicidade, concordo plenamente que uma vida próxima a família e amigos, com mais tempo livre e de dedicação a assuntos sociais e da comunidade traz maior qualidade de vida e satisfação, mas sinto isso como uma utopia na voz das pessoas: "Ah! Seria tão bom se eu tivesse mais tempo com meu filho!" e nos temos mantidos presos a uma vida corporativa e preenchida por busyness (sic) em vez de desligarmo-nos de uma zona de conforto financeira, outrora vista como garantia de felicidade, e partirmos para novos modos de consumir e viver. Já as nossas relações com as empresas me parecem seguir a mesma tendência de antes e é negativamente impactante que apenas 52% considerem "Não maltratar animais" como motivador de preferência. Alguns dos itens estão ligados ao marketing das companhias (boas relações com a comunidade e não fazer propaganda enganosa) e outros são aqueles que já esperávamos ver (ajudar na redução do consumo de energia e não causar danos aos clientes). Para finalizar a leitura, o aumento do número de empresas divulgando seus dados de responsabilidade socioambiental tornou o produto "Relatório Socioambiental" uma commodity pouco valorizada, pois nos parece que muito do que é publicado está apenas nos relatórios, assumindo uma função prioritariamente propagandística e deixando de lado a proposta de ser um documento de transparência das empresas, caindo no descrédito dos consumidores. Desta forma, entendo que ainda temos um caminho longo a ser seguido no que diz respeito à consciência do consumidor, às suas motivações e às suas atitudes. Estamos crescendo muito vagarosamente no quesito consumo sustentável e num ritmo insuficiente para frear os impactos do consumismo no país. Cabe às pessoas e entidades cientes da situação e do cenário futuro atuarem em diferentes frentes para combater um modus vivendi obsoleto e elevar a qualidade de vida da nossa população.
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Ramon Diego Santos
26 abr 2013
21 3
ª
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