Consumo Consciente

Brinquedos sustentáveis contribuem para educação ambiental

Iniciativa promove aprendizado a partir do reaproveitamento de materiais

Comentário Akatu: Educar para o consumo consciente e a sustentabilidade por meio de atividades lúdicas é uma estratégia eficaz, que amplia o potencial de alcance de iniciativas como essa ao sensibilizar sobre a importância das escolhas de consumo de uma maneira mais leve e divertida. Voltada para crianças, essa educação permitirá que, desde cedo, elas possam fazer com consciência suas escolhas, com base no que é realmente importante para a vida delas e bom para a sociedade e para o meio ambiente, impulsionando a necessária transição para um novo modelo de produção e consumo, que valorize o bem-estar de todos mais do que o consumo em si.

Duas amigas – uma brasileira e uma chilena – começaram a perceber a infinidade de brinquedos que poderiam criar usando o lixo que encontravam em São Paulo. A inquietação deu vida ao TooDo Eco, uma startup que desenvolve uma metodologia de educação ambiental na qual as crianças montam brinquedos feitos com materiais reaproveitáveis para estimular aspectos como hábitos sustentáveis, curiosidade, trabalho em equipe, aprendizagem na prática. Tudo de forma multidisciplinar, passando por conteúdos que vão desde a origem dos materiais, noções básicas sobre movimento até geometria. Depois de realizar algumas oficinas em colégios do Chile e São Paulo, agora as amigas querem expandir a iniciativa. Para isso, desenvolveram o projeto piloto Mãos Criativas, Cabeça Inteligente, que pretende adotar a metodologia com alunos do 4o, 5o e 6o ano do ensino fundamental de três escolas públicas da capital. A iniciativa, inclusive, está inscrita na plataforma de financiamento coletivo Catarse.

“Estamos levando a metodologia para escolas democráticas, já que nelas as crianças têm autonomia e compartilham processos de aprendizado por meio de projetos baseados em forma multidisciplinar”, afirma a chilena Daniela del Campo Munnich, cofundadora da TooDo Eco, que é também uma das oito selecionadas dentre mais de 70 inscritos para fazer um pitch e apresentar seus negócios durante a sessão Debate entre Empreendedores, Investidores e Especialistas no Transformar 2013.

Nessas escolas, Daniela – ao lado da cofundadora e artista plástica paulista Naná Lavander – se junta aos professores para ensinar os alunos a construir os brinquedos – feitos de garrafas PET, tampinhas, CDs, papéis, papelão, palitos de dente, tubos de caneta, entre outros – e trabalhar conteúdos como a geração de lixo, força centrífuga, geometria, a história da roda, entre outros. Duas das três escolas já foram escolhidas para realizar o projeto, que durará quatro meses: o Projeto Âncora, em Cotia, e a Escola Municipal Amorim Lima, no Butantã, zona oeste de SP. A terceira ainda está sendo selecionada.

De acordo com Daniela, essa metodologia permite que crianças realizem pesquisas, uma vez que ao longo do processo de criação dos brinquedos se deparem, naturalmente, com dúvidas e perguntas, como ‘Por que as pessoas vomitam enquanto giram?`. Essa inquietação, por exemplo, poderia surgir depois da fabricação do brinquedo Chap-Mex, que se assemelha a um chapéu mexicano e ao brinquedo “guarda-chuva”, dos parques de diversões, que gira cadeiras em círculos.

Álbum de figurinhas
Depois da experiência nas escolas, por meio dos roteiros, personagens, histórias e conteúdos, o intuito ainda é que as fundadoras da startup, alunos e professores criem um “álbum de figurinhas” – uma espécie de cartilha dividida em quatro capítulos, com temas sobre lixo e reciclagem. Nele, conterão conteúdos relacionados à origem dos materiais, montagem dos brinquedos e noções básicas sobre movimento, além de ilustrações, perguntas e manuais de instruções. Também serão criados vídeos tutoriais, kits de brinquedos e, em conjunto com os educadores, um guia virtual como apoio para que outros professores possam replicar a metodologia em suas escolas.

Já em uma segunda fase do projeto, as amigas pretendem inclusive integrar a rede de economia solidária crescente no Brasil, criando ateliês dentro das cooperativas de catadores de São Paulo e de outras cidades. A ideia é que esses empreendedores montem os brinquedos para distribuir nas escolas e comércios da região. Hoje, os brinquedos criados por elas estão em 13 lojas de brinquedos educativos da capital. “Nosso objetivo é que em cada coleta dos materiais seja realizada uma microrrevolução, desde campanhas com os vizinhos e amigos até botecos e associações de catadores”, afirma Daniela, que espera arrecadar R$ 30 mil necessários para expandir o projeto nas escolas paulistas.

Clique aqui para ler a notícia original.

*Foto - Diana Helena Lavander


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