O Instituto Akatu pelo Consumo Consciente apresenta, dia 30 de junho, a edição em português do relatório Estado do Mundo - 2010. De autoria do WWI-Worldwatch Institute, o estudo tem a proposta de trazer anualmente ao debate as questões ambientais e as mudanças na cultura do consumo, sob a ótica da economia, negócios, educação, mídia e movimentos sociais.
O Estado do Mundo é editado há 28 anos em cerca de 30 idiomas e publicado no Brasil desde 1999 pela UMA - Universidade Livre da Mata Atlântica, representante do WWI no Brasil. Abaixo, um resumo das principais conclusões do relatório, de acordo com a divisão de temas:
Economia e Negócios
No âmbito social, empresarial e pessoal, a compreensão e a adoção de práticas de sustentabilidade são limitadas. Mudar uma organização costuma ser um processo ainda mais longo do que o da mudança pessoal.
Muito se pode aprender com empresas que foram além das mudanças superficiais para abraçarem plenamente a sustentabilidade e que, assim, determinaram mudanças profundas em sua cultura organizacional. Para essas companhias, a sustentabilidade tem papel fundamental como um conjunto de valores que integram a prosperidade econômica, a gestão ambiental e a responsabilidade social, ou seja: lucro, planeta e pessoas.
Para alcançar esse nível de mudança, os líderes devem apresentar visões arrojadas e devem envolver suas organizações em discussões diversas, mais profundas, sobre o objetivo e a responsabilidade da empresa de oferecer valor verdadeiro para os clientes e a sociedade. Além disso, o engajamento de toda a empresa é essencial.
Quando as organizações aderem à sustentabilidade dessa forma, ela permeia todos os aspectos da empresa. A sustentabilidade passa a ser um fator de definição, revelando-se em cada decisão, uma jornada estratégica e emocional que favorece a empresa toda.
Educação
Para romper com o padrão do consumismo, todos os aspectos da educação terão de ser pautados pela sustentabilidade. Hábitos, valores, preferências – todos são, em grande medida, formados na infância. E durante a vida, a educação pode ter um efeito transformador sobre quem aprende. Portanto, explorar essa instituição poderosa será essencial para redirecionar a humanidade para culturas de sustentabilidade.
Nenhum sistema educacional é isento de valores, pois todos ensinam e são orientados por um determinado conjunto de ideias, valores e comportamentos, quer seja o consumismo, comunismo, crenças religiosas, ou sustentabilidade
Quanto mais a sustentabilidade puder estar integrada aos sistemas escolares atuais, maior será o número de pessoas que internalizarão os ensinamentos da sustentabilidade desde a infância. Dessa forma, as ideias, valores e hábitos se tornarão “naturais”. A partir de então, a educação funciona como ferramenta poderosa para criar sociedades sustentáveis.
Mídia
A mídia é uma ferramenta eficaz para moldar as culturas. Ela pode mostrar como as pessoas vivem, transmitir normas sociais, servir de modelo de comportamentos, além de veicular notícias e informações. E isso tanto pode ser usado para divulgar um padrão cultural de consumismo, como para questioná-lo e promover a sustentabilidade. Embora hoje a maior parte da mídia reforce o consumismo, existem esforços no mundo todo para que seu vasto poder e alcance seja utilizado para promover culturas sustentáveis.
Portanto, é essencial aprender a interagir de modo crítico com a televisão, revistas, filmes e a internet. Isso porque, atualmente, a mídia invade todos os domínios e seus usuários/telespectadores estão, ano a ano, cada vez mais expostos a ela. Uma das saídas é adquirir imunidade contra o poder de persuasão da mídia, por ser um passo importante no caminho rumo a práticas culturais sustentáveis. No entanto, para que se construa uma cultura sustentável é necessária, também, uma crítica mais profunda do consumismo que seja capaz de atingir o consumidor como uma prática social.
Instituto Akatu pelo Consumo Consciente
Criado em 15 de março de 2001 (Dia Mundial do Consumidor) no âmbito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, é uma organização não governamental sem fins lucrativos que mobiliza a sociedade para o consumo consciente. A palavra “Akatu” vem do tupi e significa, ao mesmo tempo, “semente boa” e “mundo melhor”, traduzindo a idéia de que o mundo melhor está contido nas ações de cada indivíduo. Para o Instituto Akatu, o ato de consumo deve ser um ato de cidadania, por meio do qual qualquer consumidor pode contribuir para um mundo melhor. O consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal, a preservação do meio ambiente e o bem-estar da sociedade, refletindo sobre o que consome e prestigiando empresas comprometidas com a responsabilidade social.
Sobre a WWI
O WWI-Worldwatch Institute, sediado em Washington, destaca-se na promoção de uma sociedade ambientalmente sustentável, onde as necessidades humanas sejam atendidas sem ameaças à saúde da natureza. Busca atingir seus objetivos através de pesquisas interdisciplinares e apolíticas, montando cenários sobre as emergentes questões globais, e difundindo os resultados através de publicações, editadas em vários idiomas.
No Brasil é associado à UMA - Universidade Livre da Mata Atlântica, instituição do terceiro setor, dedicada a promoção do desenvolvimento sócio-econômico-ecológico integrado, para a divulgação de suas informações e publicação dos seus trabalhos.
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